Daily Archives: 6 de julho de 2017

PM INVESTIGADO POR APOIO AO TRÁFICO JÁ ESTÁ SOLTO

sAR

O sargento Dilamar Bulsing de Freitas, preso em flagrante na manhã desta quinta-feira na Operação ViraCasaca, em Cachoeira do Sul, já está solto. Ele pagou uma fiança de R$ 15 mil, arbitrada pela Polícia Civil, para não permanecer preso.

De acordo com o promotor João Beltrame, as investigações que culminaram com a prisão do sargento Dilamar e de outras 33 pessoas na cidade partiram de “uma situação estranha” envolvendo o PM e um traficante, o que chegou ao conhecimento da Polícia Civil, do MP e da própria Brigada Militar. As investigações apontam que o PM teria prestado apoio ao cunhado, Fabiano Loreto de Moraes, o Porcão, apontado pela força-tarefa como um dos líderes do tráfico em Cachoeira.

A esposa do sargento e irmã de Porcão, Simone Loreto de Moraes, é apontada como proprietária laranja de uma microempresa do PM – uma revenda de carros – usada para lavagem de dinheiro. O PM Dilamar foi enquadrado no crime de posse ilegal de arma de fogo, que foi apreendida na casa dele.

No entanto, a força-tarefa investiga a participação dele no apoio ao tráfico de drogas. Documentos, equipamentos e outros materiais também foram apreendidos na casa do PM, assim como celulares nas casas de outros presos. Toda a apreensão passará por análise que definirá os enquadramentos de todos os investigados. Estimativas das autoridades apontam que a quadrilha movimentava cerca de R$ 2 milhões por ano em Cachoeira do Sul.

O Ministério Público tem 15 dias para oferecer as denúncias ao Judiciário.

MP REVELA DETALHES SOBRE A OPERAÇÃO VIRACASACA

01

O promotor de Justiça João Afonso Beltrame, representante na região do Grupo de Ações Especiais do Combate ao Crime Organizado (Gaeco), revelou detalhes sobre como funcionava o esquema criminoso de tráfico de drogas desmantelado na manhã desta quinta-feira (6) pela força-tarefa da Operação Vira Casaca, deflagrado pelo próprio MP em conjunto com a Polícia Civil e a Brigada Militar.

Segundo o promotor, tudo começou – segundo suas palavras – por uma “situação estranha” que chegou ao conhecimento do MP, envolvendo o sargento da Brigada Militar Dilamar Bulsing de Freitas e um agente do tráfico de drogas, apontado pelas autoridades como sendo seu cunhado, Fabiano Loreto de Moraes, o Porcão. A esposa do sargento e irmã de Porcão, Simone Loreto de Moraes, é apontada como proprietária laranja de uma microempresa do PM usada para lavagem de dinheiro.

Segundo a BM, foi constatada a quebra de dever funcional do PM. “O cunhado dele estava entre os comandantes do tráfico em Cachoeira”, frisa o promotor Beltrame. “Cachoeira, no tráfico, está acéfala com esta operação. Os líderes foram tirados de circulação nesta manhã”, salienta o representante do MP.

Até o momento, o sargento da BM foi enquadrado somente no crime de posse ilegal de arma de fogo, apreendida na casa dele. A prisão dele em flagrante é lavrada pela Polícia Civil, que deve arbitrar uma fiança que, se for paga, livra o PM da cadeia. No entanto, o sargento é investigado por ligação com esquema de tráfico.

Além dele e do cunhado Porcão, outros nomes são apontados como líderes do tráfico tirados de circulação: Luis Natanael Nunes Paz, o Zé Oreia, o irmão dele, Alan Patrique Nunes Paz, José Marison Santos Alves e Patrique de Souza Orquiz.
revenda
Segundo o MP, revenda de veículos era usada para lavagem de dinheiro / Foto: MP/RS

Por que Operação ViraCasaca?

A promotora Giani Pohlmann Saad, que no MP faz o cruzamento de dados e o raio x do tráfico em Cachoeira do Sul, explica que o nome da força-tarefa surgiu em alusão à participação de um policial militar num esquema criminoso de tráfico de drogas. “A operação recebeu esse nome porque envolvia um policial que prestou um juramento de defender a honra e a lisura dos seus atos. Registro a postura do comando local da BM, que atuou junto nas investigações e em nenhum momento deu proteção aos atos do PM”, salientou a promotora. Segundo a força-tarefa, a droga que abastece o tráfico em Cachoeira vem principalmente de Santa Cruz do Sul e de Lajeado.

Veículos e imóveis foram apreendidos

A ação policial resultou ainda no sequestro de veículos e imóveis, além do recolhimento de cerca de R$ 40 mil. Segundo a Polícia, foram 11 meses de investigação e, durante este período, foram realizadas prisões por tráfico que chegaram a um montante de 12 quilos de drogas apreendidas.

“Utilizamos técnicas modernas de investigação”, salientou o chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, delegado Emerson Wendt.

CARTEIRAS ASSINADAS

Nas investigações, que em Cachoeira tiveram o comando do delegado Ricardo Milesi, foi apurado que grande parte dos integrantes assinavam suas carteiras como autônomos ou em empresas laranjas e o recolhimento do INSS era feito com dinheiro do próprio esquema criminoso. O objetivo era o recebimento do auxílio-reclusão em caso de prisões, na ordem de R$ 937,00, e parte desse valor seria destinado às famílias e outra parcela ficaria para financiar o próprio esquema.

O CORREIO PERGUNTA

Para onde foram levados os presos e como evitar o comando do esquema de dentro dos presídios?

De acordo com o delegado Emerson Wendt e o promotor João Beltrame, há um cuidado em acomodar grande parte dos presos fora do presídio de Cachoeira do Sul. Ou seja, uma boa parte foi ou será pulverizada para presídios de todo o Estado. “Vamos dificultar ao máximo o poder deles em obter celulares ou ter vinculação com o esquema desmantelado em Cachoeira”, ressaltaram.