Câmara e Prefeitura entram em rota de colisão

ggxpaulao

A Câmara de Vereadores ameaça a adotar uma postura mais dura com relação à Prefeitura de Cachoeira do Sul. A questão envolve a dívida do Fundo de Aposentadoria dos Servidores (Faps), que o governo vai pedir parcelamento para os parlamentares. Trata-se de uma dívida histórica que o prefeito Sergio Ghignatti busca orientações no Ministério da Previdência em Brasília.

Existe a clara intenção de alguns vereadores de votarem contra o parcelamento, que deverá ser solicitado ao Legislativo, através de um projeto de lei. A ideia é condicionar a aprovação à implantação pela Prefeitura do Diário Eletrônico. O posicionamento surgiu depois que no Portal Transparência do Governo consta o valor de R$ 364,6 mil destinado para publicações em mídia impressa.

“É um absurdo”, disse o presidente da Câmara, Paulão Trevisan, em entrevista na Rádio Cachoeira, nesta quarta-feira (12). Ele afirmou que ao invés de economizar, a Prefeitura em três meses da atual administração, já aplica um alto valor em mídia impressa, quando pelo Diário Eletrônico teria uma substancial economia. A posição da Prefeitura também é criticada pelo vereador Itamar Luz (PSDB), autor do projeto aprovado para implantação do Diário Eletrônico na Câmara. Itamar considerou exagero do Governo Ghignatti em destinar R$ 364,6 mil para mídia impressa.

TEM MAIS

A Mesa Diretora da Câmara também está descontente com o prefeito Sergio Ghignatti com relação à UFSM, porque o Legislativo não foi convidado para a audiência, nesta terça-feira (11) com o ministro da Educação, Mendonça Filho, com a presença do prefeito. Na pauta, a continuidade das obras do campus em Cachoeira. “A Câmara foi quem mobilizou a comunidade e os deputados federais da bancada gaúcha e sequer foi lembrada para este encontro. Isto é lamentável”, salientou o presidente Paulão Trevisan.

EXPLICAÇÕES

O prefeito Sergio Ghignatti, em entrevista na Rádio Fandango, disse que não acredita que a Câmara irá condicionar a aprovação do parcelamento do Faps. “Se isto acontecer, nós vamos comunicar aos vereadores e ao Ministério Público que a Prefeitura estará inviabilizada”, observou, acrescentando que em nenhum momento desconsiderou a Câmara no episódio das obras da UFSM. Sobre o valor de R$ 364,6 mil para a mídia impressa, ele revelou que são previsões da Prefeitura e que não tem ideia do que é o Diário Eletrônico. Alegou que necessita de mais informações.

PREVISÃO DE ORÇAMENTO

A Secretaria da Fazenda, Viviane Dias, disse que o valor de R$ 364,6 mil destinado para a mídia impressa se refere ao que a Prefeitura poderá gastar em 2017. Segundo ela, não significa que este valor seja referente a três meses e, além disso, o governo cumpre um contrato de publicação assinado pela administração anterior.