Na escuridão: Município recebe 20% das lâmpadas que precisava

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São poucas letras que formam as palavras a seguir, mas que já fazem parte da rotina do cachoeirense. Duas delas têm apenas três letras: RGE e luz. Outra é um pouco maior, com quatro letras: caos. Poucas letras, mas um transtorno gigante para a população. E não só as palavras assustam o contribuinte de Cachoeira quando o assunto é serviço de energia elétrica. Os números também sã alarmantes: cálculos da secretaria municipal de Obras projetam que em torno de 30% do Município está às escuras. Segundo levantamento da pasta, são cerca de 7,2 mil lâmpadas no setor em Cachoeira do Sul e 1,6 mil pedidos relativos a problemas com o material. “Fora aquilo que não chegou ainda ao nosso conhecimento”, acrescenta o vice-prefeito e secretário de Obras, Cléber Cardoso.

Na tentativa de amenizar a situação, a pasta zerou a lista de pedidos. O motivo: não era possível saber a sua ordem. Eram mais de mil, antes. Zerou. Em janeiro, a secretaria já contabilizava 800. E no fim de fevereiro, 1,5 mil. Foi feita a solicitação das lâmpadas necessárias para atender parte da demanda reprimida. Vieram 300. Ou seja, 20% do necessário. “É um desafio que temos esse tempo de espera para a conclusão do processo de pedidos pelo material”, completa Cardoso. “Não estamos arrumando desculpas, mas dá a impressão que a cidade encerrou no dia 31 de dezembro do ano passado. Não foi deixado nada pensando que Cachoeira iria continuar neste ano”, desabafa o vice-prefeito.

POSTES – Ainda sobre o setor de iluminação pública, a Prefeitura segue tratativas com a RGE Sul (nova AES Sul) para aperfeiçoar os procedimentos em torno da recolocação de postes de luz. O prazo estabelecido para a normalização do serviço encerra na próxima semana. “Se precisar, teremos que recorrer ao Ministério Público. Mas esperamos que não vá chegar a esse ponto”, destaca Cardoso.

A troca de postes que a concessionária RGE Sul realiza em Cachoeira do Sul tem sido motivo de críticas pela população e também por cobranças por parte da Prefeitura, porque não está sendo realizada a recolocação de luminárias. Um levantamento da secretaria de Obras revela que de 140 postes substituídos, menos de 10% das luminárias retornou. “É um patrimônio do Município”, ressalta o também responsável pela pasta de Obras.

O gerente de relações da RGE Sul, Jederson Donaduzi, explica que são encontradas luminárias pregadas nos postes de madeira. “Quando esta situação é constatada, nós devolvemos o material para a Prefeitura, porque não tem como fixarmos os suportes nos potes de concreto”, revela, acrescentando que este procedimento foi comunicado ao Governo Municipal. Para Jederson, neste caso a responsabilidade da recolocação das luminárias, não pode ser creditada somente para a RGE.

Já o prefeito Sergio Ghignatti, ao ser questionado sobre a atuação da RGE Sul, reafirma que a Prefeitura já notificou a empresa, porque no seu entendimento, se trata de uma irregularidade. “Na troca de um poste de madeira por outro de concreto, as luminárias devem permanecer no local. O que constatamos é que a RGE instala o poste de concreto e não repõem a iluminação. Vamos continuar cobrando”, assegura o chefe do Executivo Municipal.