Polícia Civil encontra nota fiscal de compra de arsênio no celular de suspeita de envenenamento em Torres
POLÍCIA | Substância foi utilizada para envenenar bolo consumido por quatro vítimas, incluindo três da mesma família, no Natal.
A Polícia Civil confirmou nesta segunda-feira (13) a descoberta de uma nota fiscal referente à compra de arsênio no celular de Deise Moura dos Anjos, suspeita de envenenar e causar a morte de quatro pessoas em Torres, no Rio Grande do Sul. O documento, segundo as autoridades, apresentava o nome de Deise como destinatária da substância tóxica.
Histórico de compras e conexão com as mortes
Deise teria adquirido arsênio pela internet em pelo menos quatro ocasiões, de acordo com as investigações, com entregas realizadas pelos Correios. Uma das compras ocorreu antes do falecimento de seu sogro, Paulo Luiz dos Anjos, que morreu em agosto de 2024. A substância também foi encontrada na farinha usada para preparar o bolo natalino que vitimou outras três pessoas no final do ano.
Em depoimento, Deise admitiu ter visitado os sogros no dia 31 de agosto, levando bananas e leite em pó, itens que, na época, foram considerados contaminados devido à enchente. A exumação do corpo de Paulo revelou a presença de arsênio, o que reforçou as suspeitas contra a nora.
Dinâmica do envenenamento
Segundo a perícia, a farinha usada no preparo do bolo de Natal continha doses letais de arsênio. As investigações apontam que Deise pode ter deixado a farinha contaminada na casa de sua sogra, Zeli Teresinha Silva dos Anjos, durante uma visita em novembro. A polícia tenta esclarecer se a contaminação ocorreu intencionalmente nessa ocasião.
No dia 24 de dezembro, Neuza Denize Silva dos Anjos, Maida Berenice Flores da Silva e Tatiana Denize Silva dos Anjos, familiares de Zeli, morreram após consumir o bolo. Zeli também foi contaminada, mas sobreviveu.
Declarações contraditórias
Deise negou ter envenenado os alimentos, mas admitiu estar aborrecida porque Zeli optou por passar o Natal com as irmãs, em vez de celebrar com ela e o neto. A defesa de Deise alegou que as informações divulgadas pela Polícia Civil ainda não foram oficializadas no processo judicial e que aguardam a análise completa das provas.
Desdobramentos do caso
A investigação segue em andamento, com a expectativa de novos esclarecimentos sobre a dinâmica e as motivações dos envenenamentos. A defesa de Deise mantém sua posição de que não há provas conclusivas contra ela até o momento.

