SAÚDE | Dispositivo temporário, controlado por luz e extremamente menor que o convencional promete revolucionar tratamentos cardíacos em crianças.
Pesquisadores da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, anunciaram nesta quarta-feira (2) o desenvolvimento do menor marca-passo do mundo. Com dimensões inferiores a um grão de arroz, o dispositivo tem potencial para transformar o tratamento de distúrbios cardíacos, especialmente em crianças que necessitam de estimulação temporária do coração.
O estudo, publicado na revista Nature, demonstrou a eficácia do equipamento em testes com animais e tecidos humanos de doadores falecidos. Apesar de promissor, o dispositivo ainda não foi testado em humanos vivos. A pesquisa é liderada pelo bioengenheiro John A. Rogers e pelo cardiologista Igor Efimov, que destacam o impacto da miniaturização em cirurgias cardíacas pediátricas.
“Quanto menor o dispositivo, menor o impacto no corpo. Por isso trabalhamos para reduzi-lo ao máximo”, explicou Rogers.
“Cerca de 1% das crianças nascem com defeitos cardíacos. Muitas precisam de um marca-passo apenas por alguns dias. Agora nos aproximamos de oferecer uma solução menos invasiva”, acrescentou Efimov.
Avanço tecnológico com base em luz
O novo modelo é uma versão aprimorada de um marca-passo biodegradável desenvolvido pela mesma equipe em 2021. Na época, o dispositivo tinha o tamanho de uma moeda e utilizava radiofrequência para comunicação. A atual versão abandonou essa tecnologia em favor de um sistema controlado por luz infravermelha, o que permitiu uma drástica redução no tamanho.
Com apenas 1,8 mm de largura por 3,5 mm de comprimento, o marca-passo é ativado por meio de um adesivo aplicado sobre a pele, que emite luz infravermelha. Essa luz atravessa o tecido até o dispositivo, que então regula os batimentos cardíacos conforme necessário. O aparelho utiliza os próprios fluidos corporais como eletrólitos para gerar os impulsos elétricos que mantêm o coração em ritmo.

Implantação sem cirurgia e dissolução natural
Uma das maiores inovações é a forma de implantação: o dispositivo pode ser inserido por meio de uma simples injeção, dispensando cirurgia. Projetado para uso temporário, ele se dissolve naturalmente no organismo após cumprir sua função, sem a necessidade de remoção cirúrgica. Todos os componentes são biocompatíveis.
O marca-passo também pode ser adaptado para aplicações mais complexas, como o uso de múltiplos dispositivos sincronizados em diferentes regiões do coração, possibilitando o tratamento de arritmias graves. “Podemos integrá-los a válvulas cardíacas ou outros implantes”, ressaltou Efimov.
Nova fronteira da medicina bioeletrônica
Hoje, pacientes que precisam de marca-passos temporários são submetidos a cirurgias em que fios são costurados ao músculo cardíaco e conectados a equipamentos externos. O novo dispositivo propõe eliminar esse procedimento invasivo, reduzindo riscos e desconfortos.
Além da cardiologia, a tecnologia pode futuramente ser adaptada para outras aplicações médicas, como regeneração de nervos, tratamento de feridas e controle da dor. “É um passo significativo para a medicina bioeletrônica”, concluiu Rogers.
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