Seara abate 67 mil frangos saudáveis em Montenegro por restrições após foco de gripe aviária
Granja comercial, em Montenegro, onde foi diagnosticado o foco de influenza aviária já foi desinfectada | Foto: Seapi / Divulgação
RURAL | Empresa alega impedimentos logísticos e comerciais para justificar medida em granja próxima ao epicentro da doença
A Seara, empresa do grupo JBS, confirmou o abate de 67 mil frangos saudáveis entre os dias 22 e 24 de maio em uma granja localizada em Montenegro, no Vale do Caí. A decisão, segundo a companhia, não teve ligação direta com o foco de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) registrado no mesmo município, mas sim com questões “comerciais e de lógica de produção”.
As aves estavam em uma granja de recria, etapa inicial do ciclo produtivo, e seriam transferidas para uma granja de engorda. No entanto, com a confirmação da doença e a consequente restrição de movimentação em um raio de 10 quilômetros, a transferência se tornou inviável. A granja afetada pelo foco do vírus H5N1 está localizada a 6,5 km do local onde estavam os frangos abatidos.
“Os animais teriam que permanecer numa granja inadequada para sua fase de desenvolvimento por pelo menos 28 dias. Além disso, haveria muitas restrições à sua futura comercialização”, informou a Seara em nota oficial. Diante desse cenário, a empresa decidiu realizar o abate com respaldo em normas internacionais, sob fiscalização das autoridades sanitárias e com autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), segundo a própria companhia.
Até o fechamento desta edição, o Mapa ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a autorização mencionada pela Seara. O jornal Correio do Povo buscou confirmação junto ao ministério, mas não obteve retorno.
O número de frangos eliminados pela empresa é significativamente superior ao total abatido diretamente por conta do foco da gripe aviária. De acordo com dados divulgados na última sexta-feira (23), foram sacrificadas 8.747 aves na granja infectada – 7.389 com sintomas da doença e outras 1.358 como medida preventiva.
Segundo a Folha de S. Paulo, prestadores de serviço da Seara solicitaram ainda a ampliação do limite diário de abate de 18 mil para até 25 mil aves, com o objetivo de acelerar o processo de descarte.

