24 de janeiro de 2026

EFEITO TRUMP: Pressão dos EUA força ditadura venezuelana a libertar presos políticos

OIP

VENEZUELA | Gesto anunciado pelo chavismo ocorre após mudança radical no cenário político e expõe fragilidade do regime

A libertação de um número significativo de presos políticos na Venezuela, anunciada nesta quinta-feira (8) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, ocorre em meio a um novo e decisivo contexto internacional marcado pelo chamado “Efeito Trump”, que alterou drasticamente o equilíbrio de forças em torno da ditadura chavista.

Embora o governo venezuelano tente apresentar a medida como um “gesto unilateral em prol da convivência pacífica”, o anúncio acontece logo após a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma operação conduzida pelos Estados Unidos, fato que abalou a estrutura de poder do regime e intensificou a pressão externa sobre Caracas.

Rodríguez não informou quantas pessoas foram libertadas nem divulgou nomes, limitando-se a afirmar que a decisão foi tomada pelo “governo bolivariano juntamente com as instituições do Estado”. Segundo a ONG Fórum Penal, antes do anúncio havia 806 presos por motivos políticos no país, incluindo 175 militares, número que evidencia a dimensão da repressão mantida pelo regime.

Ao reconhecer apoio internacional, o líder do Parlamento agradeceu ao ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e ao Catar, que, segundo ele, atenderam ao apelo da então presidente interina. Ainda assim, reforçou que as libertações seriam um ato “sem contrapartidas”, versão vista com ceticismo por analistas e pela oposição.

Pressão externa e contradições do regime

Apesar do anúncio das solturas, o cenário interno segue marcado por contradições evidentes. Nos últimos dias, ao menos dois jornalistas estrangeiros foram deportados, e até profissionais com visto permanente de imprensa enfrentam impedimentos para entrar no país, o que reforça que a repressão à liberdade de expressão continua ativa.

Para a oposição, a medida é insuficiente. A líder oposicionista María Corina Machado afirmou que não há possibilidade de transição democrática enquanto houver presos políticos. “Essa é a primeira coisa que precisa acontecer. O medo era o que sustentava Maduro. Se eliminarmos o terror, nada restará”, declarou.

María Corina voltou a sustentar que Edmundo González Urrutia venceu as eleições presidenciais com cerca de 70% dos votos, e que seu mandato deve ser respeitado. Segundo ela, antes de qualquer eleição livre, é indispensável a restauração das liberdades civis.

O “Efeito Trump”

A mudança de postura do regime venezuelano é atribuída diretamente ao reposicionamento dos Estados Unidos sob Donald Trump, que abandonou a retórica diplomática tradicional e passou a adotar ações diretas, alterando o cálculo político em Caracas. A libertação de presos políticos, ainda que parcial e sem transparência, surge como um movimento defensivo de um regime acuado, e não como um avanço espontâneo em direitos humanos.

O próprio Trump, após a captura de Maduro, afirmou não apoiar María Corina Machado como líder da transição, alegando falta de apoio interno, e defendeu que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse o comando do país — declaração que adiciona incerteza ao futuro político venezuelano.

Mesmo assim, para observadores internacionais, o gesto do chavismo deixa claro que a pressão externa voltou a produzir efeitos concretos, algo que não ocorria havia anos. A libertação de presos políticos, ainda que limitada, expõe uma realidade difícil de ocultar: quando confrontada de forma direta, a ditadura venezuelana recua.

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