Desembargador pede investigação sobre venda de tacos de beisebol no RS
“TACO DO NEGAN” | Magistrado do TJRS afirma que objetos com inscrições como “respeito” e “motivação” podem incitar à violência
O desembargador João Barcelos de Souza Junior, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), solicitou a abertura de investigação pelo Ministério Público do Estado (MPRS) para apurar a fabricação e a comercialização de tacos de beisebol que, em seu entendimento, podem estimular práticas violentas.
A medida foi adotada após o magistrado encontrar os objetos à venda em um restaurante localizado às margens da BR-116, em Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os tacos chamaram a atenção por conterem inscrições com palavras como “respeito”, “fiado” e “motivação”.
Na representação encaminhada ao procurador-geral de Justiça do Estado, Alexandre Saltz, Barcelos argumenta que a comercialização dos produtos pode sugerir o uso do bastão como instrumento de intimidação ou ameaça. Segundo ele, esse tipo de artefato costuma estar associado à prática de grave ameaça, sendo utilizado para constranger alguém a agir contra a própria vontade.
“Este tipo de artefato geralmente está relacionado à grave ameaça, principalmente ligado a constranger alguém a fazer algo contra a sua vontade, sendo um argumento de ‘motivação’ para atender ao comando de quem profere a ordem”, escreveu o desembargador no documento.
O estabelecimento citado é o Restaurante e Pastelaria Casa Rural. Um dos sócios afirmou ter sido surpreendido pela investigação e disse que os objetos são vendidos como itens decorativos, colecionáveis ou até mesmo para compor fantasias. “Vejo o intuito desses objetos como artigos decorativos ou colecionáveis, ou até artigos para compor fantasias dos fãs do seriado The Walking Dead”, declarou.
Ainda segundo o comerciante, os tacos são comercializados também como presentes e estão disponíveis em grandes redes e lojas virtuais. “Nunca imaginei que pudesse repercutir a esse nível, pois vemos grandes lojas que também fazem a venda do mesmo tipo de produto”, relatou.
No pedido encaminhado ao MPRS, Barcelos anexou imagens retiradas de um vídeo gravado por ele próprio, nas quais aparecem os tacos expostos para venda. Em relação ao bastão com a inscrição “respeito”, o magistrado afirma que o objeto pode ser interpretado como um instrumento para impor medo ou justificar uma agressão iminente.
Para o desembargador, a comercialização dos bastões não guarda relação com a prática esportiva do beisebol, uma vez que o local não se trata de uma loja de artigos esportivos e não havia à venda equipamentos complementares, como bolas ou luvas. O magistrado destaca ainda a quantidade significativa de tacos disponíveis no estabelecimento.
Ao justificar o pedido de apuração, Barcelos afirma estar atuando em defesa do “direito a uma sociedade pacífica, ordeira e com bons valores”, sustentando a necessidade de investigar quem está fabricando e distribuindo os produtos.

