24 de janeiro de 2026

CNJ identifica uso indevido de sistema e tentativa de registro de mandados contra Lula e Moraes

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POLÍTICA | Órgão afirma que não houve invasão hacker e que dados foram corrigidos sem expedição de ordens judiciais

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou nesta quinta-feira (22) a identificação de alterações indevidas no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, incluindo tentativas de registro de mandados de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Segundo o CNJ, o episódio não se trata de uma invasão hacker aos sistemas do órgão, mas de uso indevido de credenciais de acesso pertencentes a usuários vinculados a tribunais. As informações teriam sido inseridas de forma irregular após o comprometimento dessas credenciais.

Em nota, o Conselho esclareceu que não houve violação ou comprometimento dos sistemas institucionais e que nenhuma ordem de prisão chegou a ser expedida contra as autoridades mencionadas. “As ações foram realizadas por meio de credenciais de acesso comprometidas, em decorrência de roubo de credenciais, utilizadas de forma indevida no sistema. O incidente foi identificado, tratado e os dados foram devidamente corrigidos”, informou o órgão.

O caso remete a um episódio anterior, ocorrido em 2023, quando o ministro Alexandre de Moraes foi alvo de uma invasão hacker nos sistemas do CNJ. Na ocasião, o hacker Walter Delgatti Neto inseriu um mandado de prisão falso contra o próprio ministro, supostamente assinado por ele. O documento continha a frase: “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o ‘L’”.

Delgatti Neto e a então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal pelo episódio. O hacker cumpre pena de oito anos e três meses de prisão, tendo obtido autorização, neste mês, para progressão do regime fechado para o semiaberto. Já Zambelli permanece presa na Itália, aguardando decisão da Justiça local sobre sua extradição ao Brasil. O julgamento foi adiado pela quarta vez nesta terça-feira (20).

A reportagem tentou contato com o gabinete do ministro Alexandre de Moraes e com a Presidência da República, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.

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