Casos de VSR disparam no RS e acendem alerta para o inverno de 2026

SAÚDE | Crescimento nas internações e mortes preocupa especialistas, que destacam risco elevado para bebês e idosos

O avanço das infecções por vírus sincicial respiratório (VSR) no Rio Grande do Sul acendeu um sinal de alerta às vésperas do inverno de 2026. Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam crescimento consistente nas hospitalizações e óbitos nos últimos três anos, com impacto mais intenso entre bebês e idosos.

Em 2025, o Estado registrou 3.621 internações e 68 mortes por VSR — alta de 32% em relação a 2024 e de 63% frente a 2023. O cenário acompanha a tendência nacional. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Brasil contabilizou 224.721 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em 2025, sendo o VSR responsável por 37,4% das infecções com identificação viral.

Pressão sobre UTIs pediátricas

Durante os meses mais frios, o VSR se torna o principal agente de internações em unidades de terapia intensiva pediátrica. De acordo com especialistas, o vírus responde por cerca de 65% das infecções respiratórias em crianças.

O quadro clínico varia conforme a idade. Em crianças maiores, costuma se manifestar com sintomas leves, semelhantes a um resfriado. Já em bebês, especialmente menores de dois anos, pode evoluir rapidamente para formas graves, como bronquiolite — inflamação dos bronquíolos que compromete a respiração.

Em situações mais severas, há risco de insuficiência respiratória, necessidade de ventilação mecânica e complicações como pneumonia.

Os números confirmam essa vulnerabilidade: em 2025, bebês no primeiro ano de vida representaram 2.589 das hospitalizações por VSR no Estado — cerca de 72% do total. A curva é ascendente desde 2023.

Idosos concentram maior risco de morte

Embora representem menor volume de internações, os idosos apresentam taxas de mortalidade significativamente mais altas. Entre pessoas de 60 a 79 anos, a letalidade entre internados chega a aproximadamente 15%. No grupo com 80 anos ou mais, esse índice sobe para cerca de 23%.

Nessa faixa etária, o VSR pode agravar doenças crônicas preexistentes, como cardiopatias, diabetes e doenças pulmonares, aumentando o risco de desfechos graves.

Sintomas e transmissão

A infecção pelo VSR começa, na maioria dos casos, com sinais semelhantes aos de um resfriado: coriza, tosse e febre. Os principais sinais de alerta incluem:

  • Dificuldade para respirar
  • Aumento do esforço respiratório
  • Queda na oxigenação
  • Dificuldade para mamar (em bebês)

O período de incubação varia de dois a oito dias. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e contato com superfícies contaminadas, o que favorece a disseminação em ambientes fechados — especialmente no inverno.

Prevenção avança com novas estratégias

Historicamente, o tratamento do VSR é baseado em suporte clínico. No entanto, avanços recentes ampliaram as possibilidades de prevenção.

Uma das principais estratégias é a vacinação de gestantes com a Abrysvo, que permite a transferência de anticorpos ao bebê ainda na gestação. A vacina foi incorporada ao SUS em novembro de 2025 e apresenta eficácia significativa na redução de casos graves nos primeiros meses de vida.

Outra inovação é o uso do anticorpo monoclonal nirsevimabe, comercializado como Beyfortus. Diferentemente das vacinas, ele oferece proteção imediata ao bebê, com dose única válida por toda a temporada do vírus.

Desde fevereiro de 2026, o medicamento passou a ser disponibilizado pelo SUS para prematuros e crianças de até dois anos com comorbidades. Para os demais bebês, o acesso ainda ocorre pela rede privada.

Monitoramento e diagnóstico

A identificação precisa do VSR depende de exames laboratoriais, já que os sintomas podem ser confundidos com gripe ou covid-19. Testes rápidos atuais permitem detectar múltiplos vírus respiratórios em uma única amostra, contribuindo para o monitoramento epidemiológico e definição de estratégias de saúde pública.

Com a chegada do inverno, autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância, da imunização e da busca precoce por atendimento diante de sinais de agravamento.

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