Morre Bagre Fagundes, ícone da música e da cultura gaúcha, aos 86 anos

LUTO NA MÚSICA | Coautor do clássico “Canto Alegretense” e integrante de Os Fagundes, artista deixa um legado que marcou gerações e ajudou a preservar a identidade cultural do Rio Grande do Sul.

O músico, compositor e tradicionalista Euclides Fagundes Filho, conhecido nacionalmente como Bagre Fagundes, morreu neste domingo (2), aos 86 anos, em Porto Alegre. A informação foi confirmada pelo filho, Ernesto Fagundes.

Bagre estava internado no Hospital Ernesto Dornelles desde maio, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória após se engasgar durante o almoço em sua residência, na Capital. Até o momento, a família não divulgou informações sobre o velório e o sepultamento.

Reconhecido como um dos maiores nomes da cultura gaúcha, Bagre construiu uma trajetória dedicada à música regional e à valorização das tradições do Rio Grande do Sul. Integrante do grupo Os Fagundes, ele foi coautor, ao lado do irmão Nico Fagundes, do inesquecível Canto Alegretense, considerado um dos maiores hinos não oficiais do Estado.

A canção, eternizada pelos versos “Não me perguntes onde fica o Alegrete, segue o rumo do teu próprio coração”, ultrapassou fronteiras e se tornou símbolo da identidade gaúcha.

Raízes no interior gaúcho

Filho de Euclides Fagundes e Florentina Fagundes, Bagre nasceu em Uruguaiana, mas foi criado em Alegrete, onde desenvolveu sua ligação com a música e as tradições campeiras ao lado de seus irmãos.

Casado por mais de 60 anos com Marlene Vilaverde, deixa os filhos Neto Fagundes, Ernesto, Luciana e Paulinho, além de netos, familiares e admiradores.

Com sua inseparável gaita de quatro baixos, percorreu praticamente todo o Rio Grande do Sul levando a música nativista aos palcos, festivais e eventos tradicionalistas.

Obras que marcaram gerações

Ao lado de Nico Fagundes, Bagre assinou composições que se tornaram referências da música regional. Entre elas está Origens, música-tema do programa Galpão Crioulo, exibido pela RBS TV durante quase quatro décadas, eternizando os versos:

“Eu sei que não vou morrer / Porque de mim vai ficar / O mundo que eu construí / O meu Rio Grande, o meu lar.”

Em diversas entrevistas, Bagre revelou que, logo após compor Canto Alegretense, afirmou ao irmão que a música os tornaria imortais. Anos depois, a previsão se confirmou, com a obra sendo interpretada por inúmeros artistas e reconhecida como um dos maiores clássicos da música gaúcha.

Cinema e festivais

Além da música, Bagre também participou do cinema regional. Atuou no filme O Grande Rodeio, dirigido por Nico Fagundes, interpretando um músico popular em cenas gravadas nas cidades de Alegrete e São Borja.

Sua trajetória também foi marcada pela participação em importantes festivais nativistas. Nas décadas de 1970 e 1980 integrou Os Angüeras e, posteriormente, fundou o Grupo Inhanduy, ao lado dos filhos Ernesto e Neto. O conjunto conquistou premiações em festivais como a Tertúlia Musical Nativista, a Califórnia da Canção Nativa e a Ronda da Canção Nativa.

Em 2001, surgiu o grupo Os Fagundes, reunindo diferentes gerações da família. Após a morte de Nico, em 2015, o projeto continuou com a participação dos filhos, mantendo viva uma das mais importantes tradições musicais do Rio Grande do Sul.

Legado

A morte de Bagre Fagundes representa uma grande perda para a cultura gaúcha. Com sua música, sua gaita e sua dedicação às tradições do Estado, ele ajudou a preservar a identidade do povo gaúcho e inspirou gerações de músicos e admiradores.

Seu legado permanece vivo nas canções que marcaram a história do Rio Grande do Sul e continuarão sendo entoadas por muitos anos.

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