A Economia no Centro das Preocupações do Brasileiro: O Impacto da Inflação e Juros Altos
ECONOMIA | A inflação chegou ao bolso do consumidor, o que já é suficiente para explicar
O mais recente levantamento do Datafolha trouxe à tona um dado alarmante: a economia se consolidou como o principal problema do Brasil, empatando com a saúde na percepção dos entrevistados. O cenário surpreende por ultrapassar, em destaque, questões como violência e corrupção, que tradicionalmente dominam as preocupações nacionais. A pesquisa foi realizada presencialmente com 3.054 pessoas em 172 municípios, entre os primeiros dias de abril de 2025.
Embora ainda seja prematuro afirmar que este seja um movimento estrutural, a pesquisa deixa claro o grau de apreensão da população com a atual conjuntura econômica. O fato de 22% dos entrevistados terem mencionado espontaneamente a economia como principal problema do País é significativo, especialmente considerando que em setembro de 2023, esse índice era de apenas 10%.
Além disso, saúde foi igualmente citada por 22% dos entrevistados, enquanto a violência, que aparece de forma recorrente em pesquisas sobre segurança, caiu para 11%, o que indica uma mudança na percepção da população sobre os maiores desafios enfrentados. No levantamento de setembro de 2023, saúde e violência dividiam a liderança da insatisfação, ambas mencionadas por 17% da amostra.
A economia figura como o principal ponto de desconforto, apesar de números que, à primeira vista, poderiam ser interpretados de forma otimista, como a queda do desemprego e um crescimento do PIB acima das expectativas, de 3,4% em 2024. Contudo, um fator não pode ser ignorado: a inflação. Em janeiro de 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já registrava 1,47%, o que representa quase metade da meta de inflação para todo o ano. Além disso, a alta no custo da cesta básica em 2024 foi de 14,22%, quase três vezes superior à inflação oficial, o que tem gerado um impacto direto no poder de compra dos brasileiros.
O reflexo desses números no bolso do consumidor é inegável. Em São Paulo, o valor da cesta básica já ultrapassa R$ 850,00, o que corresponde a 60% do salário mínimo de R$ 1.518,00. Este aumento vertiginoso no custo de vida está entre as principais razões para a insatisfação da população com a gestão econômica.
Outro ponto crucial é a taxa de juros, que tem exercido um papel central nesse cenário. Com a Selic elevada a 14,25%, o Brasil voltou a patamares que não eram vistos desde 2016, quando o país enfrentava uma crise fiscal profunda. Para tentar controlar a inflação, o governo se viu obrigado a manter os juros elevados, o que tem um impacto direto no crédito pessoal, já que o juro do rotativo do cartão de crédito chegou a 438,4% ao ano em setembro de 2024, com algumas instituições superando os 900%.
Este contexto de inflação e juros altos tem gerado uma reação direta na popularidade do governo. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, 67% dos eleitores brasileiros expressaram frustração com o terceiro mandato de Lula, sendo 36% deles muito frustrados e 31% um pouco. O Nordeste, região tradicionalmente favorável ao petista, viu 55% dos seus eleitores manifestarem decepção com o governo.
A surpresa, para muitos, é que essa frustração não chega a ser inédita. Aqueles que ainda alimentavam expectativas sobre um governo mais responsável e capaz de conter a inflação pareciam ignorar a natureza das políticas econômicas adotadas pelo PT, que, na prática, vem forjando o cenário de alta dos preços e dos juros.
Este quadro não só gera insatisfação popular, mas também coloca o atual governo em uma posição delicada, com desafios econômicos que não podem ser resolvidos de imediato, o que poderá ter impactos de longo prazo sobre a estabilidade política e a popularidade do presidente.

