Barroso rebate tarifa imposta por Trump e diz que sanções se baseiam em “compreensão imprecisa” dos fatos no Brasil
POLÍTICA | Presidente do STF critica versão americana sobre perseguição a Bolsonaro e afirma que Judiciário atua em defesa do país
Em carta divulgada neste domingo (13), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, criticou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. A medida foi anunciada sob a alegação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria sendo alvo de uma “caça às bruxas” no Brasil.
Barroso afirmou que as sanções foram baseadas em uma “compreensão imprecisa” dos acontecimentos recentes no país. “Em 9 de julho último, foram anunciadas sanções que seriam aplicadas ao Brasil, por um tradicional parceiro comercial, fundadas em compreensão imprecisa dos fatos ocorridos no País nos últimos anos”, declarou o ministro.
Essa foi a primeira manifestação do STF após o anúncio de Trump, que também classificou como “perseguição política” os processos enfrentados por Bolsonaro no Brasil. O ex-presidente é réu no Supremo acusado de tentativa de golpe de Estado.
Na carta, Barroso destacou que divergências ideológicas não podem justificar a distorção da realidade: “Diferentes visões de mundo não dão direito a ninguém de torcer a verdade ou negar os fatos concretos que todos viram e viveram.”
O ministro ainda recordou uma série de episódios ocorridos a partir de 2019, que demonstrariam riscos reais à democracia brasileira. Entre eles, citou tentativas de atentado a bomba no aeroporto de Brasília e no próprio STF, as falsas alegações de fraude eleitoral, e o plano revelado pela Procuradoria-Geral da República que incluía o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes.
Reforçando a atuação da Justiça brasileira dentro dos marcos legais, Barroso disse: “No Brasil de hoje não se persegue ninguém. Se houver provas, os culpados serão responsabilizados. Se não houver, serão absolvidos. Assim funciona o Estado democrático de direito.”
Ao final do texto, o presidente do STF afirmou que o Judiciário está do lado “dos que trabalham a favor do Brasil” e “aqui para defendê-lo”.

