Governo Lula corta R$ 500 milhões do Farmácia Popular no Orçamento de 2026
POLÍTICA | Redução ocorre em meio à alta no preço dos medicamentos e expõe impacto direto sobre a população de baixa renda
O corte de R$ 500 milhões no Programa Farmácia Popular, promovido pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Orçamento da União de 2026, tornou-se um dos pontos mais sensíveis da peça aprovada pelo Congresso Nacional. A redução atinge diretamente uma das principais políticas públicas de acesso a medicamentos no país, justamente em um cenário de encarecimento dos remédios e aumento da demanda por assistência farmacêutica.
O ajuste faz parte do esforço do governo para garantir um superávit fiscal estimado em R$ 34,5 bilhões, mas ocorre em contraste com a manutenção de cerca de R$ 61 bilhões destinados a emendas parlamentares, o que tem alimentado críticas sobre as prioridades estabelecidas no orçamento federal.
Criado para assegurar medicamentos gratuitos ou com subsídio a milhões de brasileiros, especialmente para o tratamento de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e asma, o Farmácia Popular é considerado estratégico para a população de baixa renda e idosos. A redução orçamentária levanta preocupação quanto à continuidade da oferta e à possível restrição de itens disponíveis na rede credenciada.
Especialistas alertam que o corte pode gerar efeitos imediatos no sistema público de saúde, com aumento da procura por unidades do SUS e maior pressão sobre estados e municípios. Na prática, a diminuição dos recursos tende a impactar famílias que dependem do programa para manter tratamentos contínuos, muitas vezes sem condições de arcar com os custos no mercado privado.
O enxugamento no Farmácia Popular ocorre em paralelo a outros cortes em políticas sociais, como o Auxílio Gás e programas educacionais, reforçando a percepção de que o ajuste fiscal do governo recai sobre áreas de proteção social básica. Para analistas, a decisão evidencia um descompasso entre o discurso de prioridade aos mais pobres e a execução orçamentária, especialmente quando comparada à preservação de recursos para articulações políticas no Congresso.
Com o Orçamento de 2026 aprovado, o debate agora se concentra nos impactos concretos da redução do Farmácia Popular e na capacidade do governo de mitigar os efeitos do corte sobre milhões de brasileiros que dependem do programa para garantir acesso regular a medicamentos essenciais.

