2 de fevereiro de 2026

Governo Lula e Congresso elevam próprios salários em meio a crise fiscal

LULA RINDO

POLÍTICA | Reajuste de 50% desde 2022 contrasta com cortes no orçamento e pressão por equilíbrio nas contas públicas.

Mesmo diante de um déficit fiscal crescente e da necessidade de cortes em investimentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ministros do governo e parlamentares do Congresso passam a receber um novo aumento salarial a partir deste sábado (1º). O reajuste eleva os vencimentos para R$ 46.366,19, mais de 30 vezes o salário mínimo, enquanto o país enfrenta dificuldades para fechar as contas.

A medida foi aprovada pelo Congresso em dezembro de 2022 e estabeleceu um aumento escalonado em quatro etapas. Desde então, os salários passaram por sucessivos reajustes:

  • Janeiro de 2023: R$ 39.293,32
  • Abril de 2023: R$ 41.650,92
  • Fevereiro de 2024: R$ 44.008,52
  • Fevereiro de 2025: R$ 46.366,19

A equiparação salarial entre parlamentares, ministros do Executivo e integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) foi um dos argumentos utilizados para justificar o aumento. Antes da aprovação do projeto, em 2022, o presidente, o vice e os ministros recebiam R$ 30.934,70, enquanto os congressistas tinham remuneração de R$ 33.763,00. No acumulado, o reajuste é de 50% para o Executivo, 37% para parlamentares e 18% para os ministros do STF e o procurador-geral da República.

Prioridades em xeque

O reajuste ocorre num momento delicado para as contas públicas. O governo tem buscado novas formas de arrecadação para reduzir o déficit fiscal, enquanto ministérios enfrentam cortes e ajustes para cumprir metas orçamentárias. O aumento salarial de autoridades contrasta com a realidade da maior parte dos brasileiros, que convivem com dificuldades econômicas e um salário mínimo de R$ 1.518.

Além do impacto financeiro direto, a decisão reforça a desigualdade no serviço público, já que os salários dos ministros do STF servem como teto do funcionalismo. Isso significa que nenhuma outra remuneração na administração pública pode superar esse valor, criando um efeito cascata nas contas do governo.

O reajuste, ainda que aprovado legalmente, levanta debates sobre a coerência das políticas fiscais do país. Enquanto o governo pede sacrifícios e busca equilibrar as contas públicas, o próprio alto escalão recebe aumentos expressivos, em um momento de incerteza econômica e dificuldades para a população.

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