31 de janeiro de 2026

Haddad detona tarifa de Trump e alfineta Bolsonaro: “Lula não vai abanar o rabo para ninguém”

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POLÍTICA | Ministro acusa EUA de virarem a mesa no comércio global e diz que Brasil não será submisso como no governo anterior

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não poupou palavras ao comentar o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Em entrevista nesta terça-feira (29), Haddad criticou duramente a medida anunciada por Donald Trump — uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — e ironizou a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas relações internacionais. Segundo ele, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai se humilhar em troca de afagos da Casa Branca.

“Você não vai querer que o presidente Lula se comporte como o Bolsonaro, abanando o rabo e falando ‘I love you’”, disparou o ministro, ao comentar a escalada das tensões diplomáticas com os EUA.

A fala de Haddad veio em resposta a perguntas sobre a reação do governo à nova investida protecionista de Trump. A tarifa, que entra em vigor em 1º de agosto, foi anunciada com motivação política: Trump fez questão de mencionar o processo que Bolsonaro responde no STF por tentativa de golpe, classificando-o como “caça às bruxas”.

“Estamos lidando com uma potência que resolveu virar a mesa no comércio global. E nós não vamos assistir isso calados. Vamos reagir pelos canais diplomáticos, mas com firmeza. Esse jogo de submissão acabou”, afirmou Haddad. Ele ainda fez referência ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ao dizer que “não vai acontecer com Lula o que aconteceu com Zelensky, que passou um papelão na Casa Branca”.

Empresariado americano entra em pânico

A imposição da tarifa provocou um mal-estar generalizado entre empresários dos próprios Estados Unidos. Em uma tentativa desesperada de barrar a medida, a U.S. Chamber of Commerce — a maior entidade empresarial americana — enviou uma carta ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, pedindo a reavaliação da decisão.

No documento, os empresários alertam que atrelar a tarifa a questões judiciais internas do Brasil pode ter consequências desastrosas. O texto é claro ao afirmar que a retaliação brasileira pode vir com força: cortes em exportações, taxações sobre empresas de tecnologia e até quebra de patentes. E mais — esse movimento pode servir de exemplo para outros países, ampliando o estrago econômico para os próprios Estados Unidos.

A entidade também destaca o impacto direto sobre milhares de pequenos e médios negócios americanos que dependem de produtos brasileiros. Segundo a U.S. Chamber, há cerca de 4 mil empresas norte-americanas operando no Brasil que podem ser afetadas por retaliações.

Crise fabricada por Trump e alimentada pela polarização

A tática de Trump em atrelar uma decisão comercial ao processo contra Bolsonaro é vista como uma provocação com endereço certo: alimentar a base bolsonarista no Brasil e tensionar ainda mais as relações internacionais. Para Haddad, o atual governo não vai se render ao jogo político-eleitoreiro de Washington.

Nos bastidores, o Itamaraty articula uma reação estratégica, mas a orientação do Planalto é clara: não haverá subserviência nem show de simpatia. A mensagem é direta — o Brasil exige respeito e não aceita ser usado como peça em jogadas políticas americanas.

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