Lula joga duro e escancara dependência do STF: “Se eu não recorrer, não governo mais o País”
"O governo brasileiro tem o direito de propor aumento do IOF, sim", declarou o petista Foto: Reprodução de vídeo
POLÍTICA | Presidente reage à derrubada do aumento do IOF e escora decisão no Judiciário para enfrentar o Congresso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou claro, nesta quarta-feira (2), que o governo federal depende cada vez mais do Supremo Tribunal Federal (STF) para manter sua governabilidade diante do que classificou como uma interferência indevida do Congresso Nacional. Em entrevista concedida em Salvador (BA), Lula defendeu o recurso da União ao STF após parlamentares derrubarem o decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
“Se eu não entrar com recurso no Poder Judiciário, se eu não for à Suprema Corte, eu não governo mais o País. Esse é o problema. Cada macaco no seu galho. Ele [o Congresso] legisla, e eu governo”, disparou Lula, em tom de desabafo que expõe não só a tensão entre os Poderes, mas também a crescente dependência do Planalto da caneta dos ministros do Supremo para garantir a execução de suas políticas.
Na prática, o presidente reconhece que o STF se tornou peça-chave na engrenagem do Executivo — e não esconde a aposta no Judiciário como contrapeso ao que considera um Legislativo cada vez mais capturado por “interesses de poucos”.
A fala de Lula veio um dia depois de o advogado-geral da União, Jorge Messias, anunciar que o governo recorrerá ao STF contra a derrubada do decreto pelo Congresso. “Decreto é prerrogativa do presidente da República. O Congresso só pode intervir se houver violação grave da Constituição — o que não é o caso”, reforçou Lula, insinuando que os parlamentares invadiram competências do Executivo.
O petista foi além e tratou a medida como uma “correção de rota” para cobrar mais dos ricos, sem afetar programas sociais: “Não é aumento de imposto, é ajuste tributário. Não vamos sacrificar políticas públicas para manter privilégios”, disse, acusando o Congresso de agir em defesa de elites econômicas.
O episódio expõe a frágil articulação entre os Poderes e reposiciona o STF como pilar de sustentação do governo em meio à desconfiança com o Congresso. A aliança entre Executivo e Judiciário, que já vinha se consolidando, ganha agora contornos mais explícitos — com o presidente usando o Supremo como escudo e espada diante da resistência parlamentar.

