Macron anuncia voto CONTRA acordo UE–Mercosul e cita rejeição política unânime na França
xr:d:DAGA0BxOuP4:2,j:2484158303246548388,t:24032816
MERCOSUL | Presidente afirma que seguirá pressionando para proteger agricultores franceses enquanto protestos com tratores tomam Paris
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (8) que o país votará contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, alegando uma “rejeição política unânime” ao tratado no cenário interno francês. A declaração foi feita por meio de comunicado oficial à imprensa.
Segundo Macron, apesar dos “avanços inegáveis” registrados nas negociações — que, segundo ele, “devem ser reconhecidos pela Comissão Europeia” —, o acordo enfrenta resistência consolidada no Parlamento francês. “Deve-se notar a rejeição política unânime do acordo, como claramente demonstrado pelos recentes debates na Assembleia Nacional e no Senado”, afirmou o presidente.
O chefe de Estado francês ressaltou ainda que o processo não se encerra com a eventual assinatura do tratado. “A fase de assinatura do acordo não é o fim da história. Continuarei lutando pela implementação plena e concreta dos compromissos assumidos pela Comissão Europeia e para proteger nossos agricultores”, acrescentou.
A posição do governo francês ocorre em meio a uma nova onda de protestos do setor agrícola. Nesta quinta-feira, agricultores desafiaram a proibição das autoridades e entraram em Paris com tratores, ocupando áreas próximas a pontos turísticos emblemáticos, como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. O Ministério do Interior classificou a mobilização como “ilegal”.
Os manifestantes pressionam o governo a barrar a assinatura do acordo UE–Mercosul, prevista para a próxima segunda-feira. O setor agrícola francês teme que a criação da maior zona de livre comércio do mundo amplie a concorrência com produtos sul-americanos, considerados mais competitivos em custo, o que poderia comprometer a viabilidade da produção local.

