31 de janeiro de 2026

Mais do mesmo: Ancelotti estreia pela Seleção com pouco futebol e nenhum gol

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ELIMINATÓRIAS DA COPA | Empate sem gols com o Equador, em Guayaquil, expõe a escolha do treinador italiano por um time preso ao passado e sem soluções criativas no presente

A estreia de Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira, nesta quarta-feira (5), pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa de 2026, era cercada por expectativas. Mas o que se viu em campo foi uma versão requentada de velhos problemas, com o agravante de um treinador renomado apostando nas mesmas soluções desgastadas. O empate sem gols contra o Equador, no Estádio Monumental Banco Pichincha, foi mais um retrato do marasmo que assombra a Seleção há anos — com ou sem novo comandante.

Retrovisor acionado

A primeira escalação oficial de Ancelotti foi tudo, menos ousada. Ao contrário do que muitos esperavam, o técnico italiano ignorou os sinais de renovação e recorreu a nomes que há tempos estavam fora dos planos. Alex Sandro, Casemiro e Richarlison, todos esquecidos por seus antecessores, retornaram à titularidade como se o tempo não tivesse passado. A única exceção foi a presença do zagueiro Alexsandro Ribeiro, estreando como titular. Já o jovem Estevão, apesar de ter começado jogando, foi vítima do sistema estagnado e mal conseguiu mostrar serviço.

O passado, nesse caso, pesou mais do que inspirou. A insistência em fórmulas vencidas tornou a Seleção previsível, lenta e sem repertório — algo que nem mesmo a presença de um técnico consagrado conseguiu disfarçar.

Um filme repetido: domínio estéril, ataque inofensivo

Durante a maior parte do jogo, o Brasil até teve a bola nos pés, mas sem qualquer profundidade ou criatividade. A equipe de Ancelotti tentou marcar pressão na saída de bola do Equador em alguns momentos, mas deixou espaços demais nas costas e quase sofreu. A melhor fase brasileira ocorreu entre os 15 e os 21 minutos do primeiro tempo, quando conseguiu controlar a posse no campo ofensivo. Ainda assim, criou apenas uma chance real: passe de Gerson para Vinícius Júnior, que finalizou mesmo mal posicionado e parou no goleiro.

O Equador, limitado, ameaçou pouco, mas também não foi incomodado. A defesa brasileira não foi exigida, e Alisson só apareceu num chute de Yeboah de fora da área — e numa saída estabanada que, felizmente, não teve consequências.

Segundo tempo, mesmos erros

Na volta do intervalo, nenhum sinal de mudança. Ancelotti manteve os mesmos 11 jogadores e viu os mesmos erros se repetirem. A Seleção foi burocrática, sem intensidade, sem triangulações e sem surpresa. O momento de maior empolgação foi uma furada grotesca de Richarlison — não por criatividade, mas por inacreditável ineficiência. A falta de organização ofensiva beirou o constrangimento.

Mesmo com as trocas — Martinelli e Matheus Cunha entraram aos 18 minutos, Andrey Santos e Bruno Guimarães vieram mais tarde —, o panorama não mudou. O Brasil seguiu incapaz de quebrar as linhas do Equador, postado à frente da área. A última chance brasileira foi novamente uma jogada isolada de Vinícius Júnior que terminou com um chute fraco de Casemiro. Depois disso, a partida seguiu se arrastando até o apito final.

Simbolismo em campo e fora dele

Como se fosse pouco, um detalhe chamou atenção antes mesmo do apito inicial: a bandeira do Brasil exibida na execução do hino tinha uma versão esquisita, com menos estrelas do que o habitual. Um erro simbólico para uma noite em que a Seleção também esteve desfalcada de brilho, inspiração e identidade.

Ancelotti, que ainda não domina o português — tampouco o hino nacional —, viu de perto que o problema da Seleção não era (só) o comando anterior. É estrutural. E a solução passa longe de repetir velhas fórmulas. A julgar por esta primeira apresentação, o técnico italiano terá que “baixar a biblioteca”, como diz o ditado, e trabalhar muito para fazer valer o peso do próprio nome.

Próxima parada: Paraguai

Com mais alguns dias de treino, o Brasil encara o Paraguai na próxima rodada, ainda em busca de convencer. O desafio agora é provar que essa estreia não foi apenas um indício de que continuamos girando em círculos. Porque se o ciclo começou, ninguém avisou aos protagonistas.

Escalações:

Equador (0)
Valle; Ordoñez, Pacho, Hincapié e Estupiñán; Caicedo, Vite, Minda (Preciado, INT) e Angulo (Medina, 43’/2ºT); Alan Franco e Yeboah (Kevin Rodríguez, 32’/2ºT). Técnico: Sebastián Beccacece.

Brasil (0)
Alisson; Vanderson, Marquinhos, Alexsandro Ribeiro e Alex Sandro; Casemiro, Bruno Guimarães (46’/2ºT) e Gerson (Andrey Santos, 32’/2ºT); Estêvão (Martinelli, 18’/2ºT), Richarlison (Matheus Cunha, 18’/2ºT) e Vinícius Júnior. Técnico: Carlo Ancelotti.

Arbitragem: Piero Maza (CHI), auxiliado por Claudio Urrutia e Alejandro Molina. VAR: José Cabero (CHI)
Local: Estádio Monumental Banco Pichincha, Guayaquil (Equador)
Rodada: 15ª das Eliminatórias Sul-Americanas da Copa de 2026

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