ECONOMIA | Pressão externa, com alta do petróleo, influencia cenário e mantém alerta sobre preços no Brasil
O mercado financeiro voltou a elevar a estimativa de inflação para este ano e passou a projetar o estouro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, conforme dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central do Brasil.
A previsão para o IPCA subiu de 4,36% para 4,71%, marcando a quinta alta consecutiva nas projeções. É a primeira vez, desde maio do ano passado, que o mercado prevê que a inflação ultrapassará o teto da meta em 2026.
Desde 2025, o regime de meta contínua estabelece objetivo central de 3%, com margem de tolerância entre 1,50% e 4,50%. Com a nova projeção, o índice ficaria acima do limite superior.
Entre os principais fatores apontados está a escalada dos preços do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, o que tem elevado o custo dos combustíveis e pressionado a inflação doméstica. Para 2027, a estimativa também avançou, passando de 3,85% para 3,91%.
Juros mantêm trajetória de queda
Apesar da piora no cenário inflacionário, o mercado manteve a expectativa de redução da taxa básica de juros. A projeção para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 12,50% ao ano, enquanto para 2027 foi mantida em 10,50%. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano.
Crescimento econômico segue estável
A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 permaneceu em 1,85%. Para 2027, a projeção também se manteve estável, em 1,8%, indicando um cenário de expansão moderada da economia.
Câmbio tem leve melhora nas projeções
No mercado de câmbio, houve revisão para baixo na cotação do dólar. A expectativa para o fim deste ano caiu de R$ 5,40 para R$ 5,37. Para 2027, a projeção recuou de R$ 5,45 para R$ 5,40.
O conjunto dos dados reforça um cenário de pressão inflacionária persistente, ainda que acompanhado por expectativas de desaceleração dos juros e estabilidade no crescimento econômico.