Petróleo opera em queda apesar de anúncio dos EUA sobre abertura do setor venezuelano
ECONOMIA | Mercado reage com cautela ao cenário político na Venezuela e à possibilidade de retomada das exportações do país sul-americano
Apesar do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende abrir o setor de petróleo da Venezuela para grandes empresas americanas após a captura de Nicolás Maduro, os preços internacionais do petróleo iniciaram a segunda-feira (5) em queda.
Por volta das 6h05 (horário de Brasília), o barril do tipo Brent recuava cerca de 1%, sendo negociado próximo de US$ 60. Mais tarde, às 8h, a commodity passou a operar em leve alta de 0,13%, cotada a US$ 60,83.
O petróleo norte-americano WTI também registrou queda no início do dia, com recuo aproximado de 1%, sendo vendido a cerca de US$ 56 o barril. Às 8h, o contrato passou a subir 0,30%, alcançando US$ 57,49.
O movimento do mercado ocorre em meio a desdobramentos políticos na Venezuela. Neste domingo (4), a presidente em exercício do país, Delcy Rodríguez, divulgou uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos pedindo diálogo, o fim das hostilidades e a construção de uma “agenda de colaboração”. O documento foi divulgado menos de 24 horas após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar norte-americana.
Na carta, Delcy Rodríguez — cuja autoridade foi reconhecida pelo alto comando militar venezuelano após a retirada forçada de Maduro do país — afirma que a Venezuela “aspira viver sem ameaças externas” e faz um apelo direto à Casa Branca para evitar a escalada de um conflito armado.
Analistas ouvidos pela agência France Presse avaliam que o novo cenário político reduz o risco de interrupções prolongadas nas exportações de petróleo venezuelano. Para Bjarne Schieldrop, analista do banco SEB, a situação tende a aliviar as preocupações do mercado. “Isso diminui a chance de um bloqueio prolongado às vendas de petróleo do país, que em breve pode voltar a circular livremente”, afirmou.

