Polícia Civil indicia “influenciadora” que desejou morte de gaúchos durante a enchente


A polícia indiciou, nesta quarta-feira (26), pelos crimes de injúria, incitação ao preconceito e difamação, a influenciadora digital Joana Matos por falas contra a população do Rio Grande do Sul em meio à enchente que atingiu o Estado em maio. A influenciadora é natural de Minas Gerais e se identifica nas redes sociais como “blogueirinha mineira”. A mulher publicou um vídeo em seu Instagram, no dia 16 de maio, em que manifestou o desejo de que os gaúchos morressem afogados na enchente.


Em todo o Rio Grande do Sul, segundo a Defesa Civil Estadual, 178 pessoas morreram em decorrência da tragédia. Outras 34 pessoas estão desaparecidas. No vídeo, Joana fez uma alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro.


— Para mim esse povo do Sul pode tudo morrer afogado. Meu eles não veem um centavo. Chama o Bolsonaro para acudir vocês, otários. O tanto de gente ajudando, quando a ajuda vem, vocês não têm que olhar de onde vem não, receba, receba e ponto. Vocês são tudo mequetrefe mesmo, ô satanás. Não tinham nem que existir — disse a blogueira.


Segundo o delegado responsável pelo indiciamento, Marco de Souza, se for condenada, a pena somada pelos crimes pode chegar a oito anos de prisão.


— O fato ganha relevância porque promove discurso de ódio e grande parte da sociedade se sente ofendida. As ações nas redes sociais devem se pautar de forma respeitosa. Ela vai ser indiciada pelo crime de preconceito e por ter promovido um discurso de discriminação — afirmou o delegado.


Após a repercussão negativa, Joana publicou um vídeo pedindo desculpas, onde alegou que os comentários proferidos por ela foram mal interpretados. Conforme o delegado Souza, apesar do pedido da influenciadora, a hostilidade e as ofensas proferidas contra a população do Estado não perdem força com a retratação e o delito não é superado pelo arrependimento.


Ainda de acordo o delegado, a exclusão das contas da investigada foi solicitada, mas o fato ainda não ocorreu. A publicação de Joana repercutiu negativamente nas redes sociais em nível nacional, o que gerou críticas até mesmo de outros influenciadores.


— Eles (influenciadores digitais) fazem uso dessas injúrias e ofensas buscando engajamento para depois pedirem desculpas, mas o objetivo principal é a autopromoção deles — pontuou o delegado.


A Polícia Civil procurou a influenciadora, que não se manifestou. O órgão de segurança encaminhará o indiciamento ao Ministério Público estadual, que pode oferecer denúncia-crime contra Joana.






GZH

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