Processos na Justiça contra planos de saúde tem recorde de 234 mil em 2023

O número de processos movidos contra operadoras de planos de saúde chegou a 234.111 mil no último ano, um número recorde na série histórica feita desde 2020 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Isso representa um aumento de 60% em relação ao primeiro ano avaliado pelo órgão de controle do poder Judiciário.

Dados do painel de Estatísticas Processuais do Direito à Saúde elaborado pelo CNJ mostram a evolução das demandas judiciais relacionadas às operadoras:

— 2020: 145.695 mil processos
— 2021: 153.203 mil processos
— 2022: 176.298 mil processos
— 2023: 234.111 mil processos

No ano passado, a maior parte destes novos processos, segundo o CNJ, tramitou na Justiça Estadual: são 221.533 ações nos tribunais de justiça dos estados. Neste caso, a maior concentração ocorre no estado de São Paulo, com 76.710 processos, seguido de Bahia e Rio de Janeiro, com 33.250 e 19.250 casos respectivamente.

Nos tribunais superiores, categoria que envolve, além do Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) – onde tramita a maior parte das demandas envolvendo convênios e operadoras – o número de novos processos foi de 13.343.

Segundo a coordenadora do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde (Fonajus), Daiane Nogueira de Lira, que é conselheira do CNJ, a questão do aumento do número de processos envolvendo a saúde suplementar é “preocupante”, e precisa ser resolvida.


Lira informou o CNJ está trabalhando para que a política de ampliação dos Núcleos de Apoio Técnico do Judiciário na área de saúde seja implementada ainda este ano. Em entrevista ao programa Roda Viva no início de junho, o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou que estuda medidas a serem adotadas durante sua gestão para equalizar a judicialização no setor da saúde, um dos mais atingidos pelas ações.

De acordo com nota encaminhada pela assessoria de imprensa do Supremo, Barroso planeja desenvolver, no próximo semestre, medidas para enfrentar, equacionar e compreender a litigiosidade em algumas áreas, como a saúde.

“Temos desenvolvido ações para compreender a litigiosidade em algumas áreas. E enfrentá-las. Já avançamos significativamente no tocante às execuções fiscais, com decisões do STF, resolução do CNJ e acordos com Estados e Municípios. Vamos dar baixa em centenas de milhares de processos e aumentar a arrecadação”, explica o texto.

Ainda segundo o STF, “no tocante à litigiosidade contra o Poder Público, temos um grupo de trabalho que reúne advogados da União, procuradores do Estado e dos Municípios, que está acabando de mapear as principais áreas de conflitos para pensar soluções. No próximo semestre, vamos procurar equacionar a litigiosidade trabalhista e, também, a que envolve a área de saúde”.


Representantes das operadoras de planos de saúde afirmam que acompanham o tema com a “devida atenção” e destacam o papel do Judiciário na garantia do direito à saúde e na solução de conflitos. Mas avaliam, no entanto, que o excesso de judicialização onera o setor de saúde suplementar, bem como a Justiça.

“Vale destacar que o maior impactado pelas judicializações indevidas é o próprio beneficiário, uma vez que o sistema funciona no modelo de coletividade: o uso de um é pago por todos. Ou seja, quando há um mau uso ou uma judicialização indevida que leva a uma ação judicial, há um aumento do custo não previsto, o que encarece o uso do sistema para todos os beneficiários”, diz a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge).

Na avaliação da entidade, que reúne cerca de 140 operadoras associadas, a judicialização já é um dos principais fatores de impacto na inflação da saúde e, consequentemente, no preço dos planos de saúde pago pelas famílias e empresas contratantes.





Agência Brasil

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