Produtores de feijão no RS recebem bônus do PGPAF para compensar perdas

RURAL | Programa garante desconto quando valor de venda fica abaixo do mínimo estabelecido
Os produtores de feijão no Rio Grande do Sul estão entre os beneficiados pelo Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A leguminosa foi incluída na lista de produtos com bônus de desconto em fevereiro, assegurando compensação quando o valor de venda ficar abaixo do mínimo estabelecido de R$ 181,23. O bônus definido para o mês é de 1,91%.
A medida foi oficializada pela portaria nº 310, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), publicada no dia 10 de fevereiro no Diário Oficial da União. Para o Rio Grande do Sul, também foram incluídos descontos para culturas como batata, cebola, mel de abelha e trigo.
Preços e impactos climáticos
Conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado em 13 de fevereiro, a saca de 60 quilos de feijão no Estado tem preço médio de R$ 224,38, um aumento de 0,84% em relação à semana anterior, quando estava em R$ 222,50. Os menores valores foram registrados nos municípios de Erechim (R$ 150) e Entre Rios do Sul (R$ 160), enquanto os mais elevados foram em Ipê (R$ 300) e Nova Palma (R$ 200).
A produção de feijão no Estado ocorre em duas safras ao ano. O plantio da primeira tem início em setembro, com colheita a partir de dezembro. Já o “safrinha”, plantado em janeiro, enfrenta dificuldades devido à estiagem que afeta o Estado desde dezembro.
Segundo Alencar Rugeri, engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, a seca impacta a produtividade da cultura. “O safrinha está em dificuldades”, alerta. Mesmo assim, ele destaca que o feijão encontra-se em situação menos crítica que a soja.
A área de plantio do feijão no ciclo 2024/2025 é de 18.863 hectares, uma redução de 15,19% em comparação aos 22.242 hectares da safrinha do ciclo anterior.
Região Centro é a mais afetada
Os produtores da Região Centro do Estado são os mais impactados pela estiagem, conforme Luis Fernando Oliveira, engenheiro agrônomo da Emater em Santa Maria. O plantio previsto para a região é de 811 hectares, mas as condições climáticas atrasaram a semeadura, que atinge apenas 80% da área. Desses, 92% encontram-se em estado de emergência.
Oliveira reforça que as perdas são generalizadas entre os agricultores, independentemente da cultura. “Temos municípios sem chuva há 45 ou 50 dias. Nessas condições, algumas lavouras estão perdidas”, lamenta.
Na Região Noroeste, a situação também preocupa. O gerente do escritório da Emater em Frederico Westphalen, Cleomar Antônio de Bona, relata que a safrinha de feijão, que ocupa uma área de 6 mil hectares, deve ter redução de 20% na colheita. “Não é mais uma atividade muito atrativa na região, que já cultivou muito feijão, mas de forma menos mecanizada”, pontua.
Como acessar o bônus
Para ter direito ao bônus do PGPAF, o agricultor familiar deve estar cadastrado no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e comprovar que o preço de venda do produto ficou abaixo do valor de garantia.
A expectativa é que a medida ajude a minimizar os prejuízos dos produtores, especialmente diante do impacto da estiagem que compromete não apenas o feijão, mas também outras culturas como arroz e soja.