31 de janeiro de 2026

Redefinições partidárias agitam bastidores políticos no RS de olho em 2026

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POLÍTICA | Ao menos 15 deputados estaduais e federais devem mudar de partido até a próxima eleição. PP, Republicanos e PSD despontam como principais destinos.

A reorganização partidária em curso no país, impulsionada por fusões, federações e o desgaste de antigas siglas, está promovendo uma silenciosa movimentação entre deputados do Rio Grande do Sul. Ao menos 15 parlamentares estaduais e federais estão em tratativas para trocar de legenda antes da eleição de 2026, numa dança de cadeiras que mira viabilidade eleitoral, alinhamento ideológico e sobrevivência política.

A primeira baixa já aconteceu: o deputado estadual Rodrigo Lorenzoni trocou o PL pelo PP, seguindo os passos do pai, o ex-ministro Onyx Lorenzoni. O movimento deve ser acompanhado por Cláudio Tatsch, ex-colega de bancada no PL, também em conversas com os progressistas.

Outro nome de peso prestes a mudar de sigla é o deputado federal Osmar Terra, que obteve carta de anuência do MDB para se transferir ao PL, legenda com a qual tem afinidade desde sua adesão ao bolsonarismo. Com mais de 40 anos de trajetória no MDB, Terra estava isolado internamente por posições ideológicas incompatíveis com os rumos recentes do partido.

A desconexão ideológica também move Any Ortiz (Cidadania) e Daniel Trzeciak (PSDB). Ambos pertencem a uma federação que chega ao fim em 2026 e têm destinos opostos. Any, de perfil liberal e conservador nos costumes, está com conversas adiantadas para ingressar no PP. Já Trzeciak, assediado por outras legendas, deve seguir rumo ao Republicanos — partido onde o bolsonarismo evangélico é força dominante.

No PSDB, o processo de esvaziamento é ainda mais agudo. O deputado federal Lucas Redecker deve seguir o governador Eduardo Leite rumo ao PSD. Com ele, devem embarcar os deputados estaduais Nadine Anflor, Valdir Bonatto e Neri, o Carteiro. Permanecem na legenda apenas Kaká D’Ávila e Pedro Pereira.

O União Brasil, por sua vez, corre o risco de ficar praticamente sem representação na Assembleia Legislativa. Dos três deputados estaduais da sigla, Thiago Duarte e Aloísio Classmann estão prontos para deixar a legenda, com o Republicanos como destino preferencial.

Pastores à direita e a esquerda ruralista

O Republicanos, com forte base no eleitorado evangélico, deve também atrair o deputado estadual Elizandro Sabino (PRD). Pastor e com base religiosa consolidada, ele considera tanto o Republicanos quanto o MDB, onde sua esposa, Tanise Sabino, atualmente milita como vereadora em Porto Alegre.

Outro nome na mira do Republicanos é Elton Weber (PSB). Embora a cúpula nacional do PSB seja aliada do governo Lula, Weber enfrenta desgaste dentro do partido e vê no Republicanos, MDB ou PSD alternativas mais palatáveis, considerando que sua base eleitoral — pequenos agricultores — se deslocou para a direita nos últimos anos.

O deputado federal Heitor Schuch, também do PSB e ligado a Weber, avalia seguir para o PSD. A possível intervenção no diretório estadual do PSB, com entrega da sigla a Beto Albuquerque, pode apressar esse movimento. O arranjo abriria espaço ainda para a filiação de Manuela D’Ávila, ex-PCdoB, que também negocia com PT e PSOL.

No campo mais à direita, os deputados Claudio Branchieri (estadual) e Maurício Marcon (federal), ambos do Podemos, articulam ida para o PL, de olho em maior estrutura partidária e sintonia com o eleitorado conservador.

Mudanças só em 2026 — mas negociações já fervem

A janela oficial para trocas partidárias entre deputados só será aberta em março de 2026. Até lá, mudanças só são possíveis com carta de anuência, como nos casos de Lorenzoni e Terra. A legislação também permite mudança sem perda de mandato em casos de perseguição ou desvio do programa partidário. Outra alternativa viável é a fusão de partidos, gerando uma nova sigla e justificando a migração.

Partidos mais beneficiados até agora: PP, Republicanos e PSD.
Siglas que mais perdem espaço: PSDB, União Brasil, Cidadania e PSB.

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