31 de janeiro de 2026

RS-287 segue com desvios e ponte provisória 15 meses após enchente histórica

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ESTRADAS | Moradores e empresários cobram agilidade em obras definitivas de recuperação

Quinze meses depois da enchente histórica que devastou o Rio Grande do Sul, um dos principais eixos rodoviários da região central do Estado ainda depende de soluções provisórias para manter o tráfego. Ao longo do trecho Tabaí–Santa Maria, da RS-287, motoristas convivem com cinco desvios emergenciais, uma ponte metálica montada pelo Exército e uma série de cones de sinalização que substituem obras definitivas.

A rodovia, com 204 quilômetros de extensão, foi uma das mais atingidas pela enxurrada que danificou 11,5 mil quilômetros da malha viária gaúcha, segundo o Mapa Único do Plano Rio Grande (MUP/RS). Em alguns pontos, a força da água arrancou o leito da estrada, obrigando a construção de desvios asfaltados ao lado da pista original. Três deles concentram-se em apenas três quilômetros da localidade de Mariante, em Venâncio Aires.

Reclamações da comunidade

Para empresários e moradores da região, a demora em iniciar obras permanentes gera insegurança.
“Pagamos pedágio elevado para ter uma estrada em condições, mas seguimos desse jeito mais de um ano após a enchente”, critica o empresário Charles Fengler, porta-voz de empreendedores de Venâncio Aires.

Morador da mesma cidade, Marciano André Becker relata acidentes ao lado de sua serraria:
“Dois carros já caíram no nosso pátio este ano, um deles de uma família argentina. Muitos motoristas não respeitam o limite de velocidade nos desvios, que é de 40 km/h.”

Ponte provisória em Santa Maria

Na região de Santa Maria, a comunidade ainda depende de uma ponte metálica erguida pelo Exército sobre o Arroio Grande. A antiga estrutura foi levada pela enchente, e a substituta, embora tenha liberado o fluxo nos dois sentidos, é estreita e mais elevada que a pista, exigindo redução de velocidade.
“Somos um polo do Interior, mas as estradas estão em obras eternas. Até hoje não temos previsão da nova ponte”, afirma Maria Elizabeth Flores, presidente da CDL de Santa Maria.

O prefeito Rodrigo Decimo diz estar em diálogo com o governo estadual.
“Já conversamos com o secretário da Reconstrução e com o governador. A rodovia não oferece as melhores condições, sobretudo nos trechos com desvio”, declarou.

O que dizem concessionária e governo

A concessionária Rota de Santa Maria informou que os projetos executivos das obras de reconstrução foram elaborados e estão em análise pela Secretaria da Reconstrução Gaúcha. Segundo a empresa, não haverá apenas reposição das estruturas destruídas, mas obras “mais robustas” para garantir resiliência climática. A duplicação em andamento em Tabaí e Santa Cruz do Sul, de seis quilômetros, deve ser entregue até o fim de agosto.

A Secretaria da Reconstrução Gaúcha reforçou que a RS-287 foi liberada ao tráfego em 40 dias após a tragédia de 2024 e que já autorizou o início das obras da nova ponte sobre o Arroio Grande. Outros trechos, como os desvios em Candelária e Mariante, estão em fase final de ajustes para adequação a padrões de resiliência climática.

Situação dos desvios na RS-287

  • Mariante (Venâncio Aires)
    ▸ Três desvios em apenas 3 km.
    ▸ Construídos em nível mais baixo que a pista original, sem acostamento.
    ▸ Considerados críticos em caso de nova enchente.
  • Candelária
    ▸ Um desvio provisório segue em funcionamento.
    ▸ Projeto em fase final de ajustes para adaptação às diretrizes de resiliência climática.
  • Novo Cabrais / Paraíso do Sul
    ▸ Desvio provisório ainda em uso, com sinalização por cones e limite de 40 km/h.
  • Santa Maria (Arroio Grande)
    ▸ Ponte de concreto levada pela enchente.
    ▸ Substituída por estrutura metálica do Exército, liberando o tráfego nos dois sentidos.
    ▸ Obras da ponte definitiva já autorizadas, mas sem prazo para início.
  • Tabaí e Santa Cruz do Sul
    ▸ Desvios também estão ativos por conta das frentes de duplicação.
    ▸ Previsão de entrega dos primeiros 6 km duplicados até o fim de agosto.

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